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CCD 477 Oeiras

Até já, Maestro Alferes!

É com profundo pesar que o CCD comunica o falecimento do muito querido e respeitado Maestro Joaquim Maneiras Alferes. No passado dia 13 de abril dissemos adeus a um homem excecional, que encheu muitas vidas de magia e alegria. Um homem cuja dedicação, capacidade de sonhar e de trabalho foram capazes de edificar a atual Banda Municipal de Oeiras, projeto que faz parte da vida de muitos.

Deixamos aqui um texto escrito por um dos elementos da Banda Municipal de Oeiras, alguém que conheceu e teve o privilégio de conviver com o Maestro Alferes. As suas palavras tocam, emocionam e falam em nome de todos os seus companheiros e dos que fizeram parte desta porção de vida de um homem extraordinário.

“Para nós

Família, Gratidão e Amor. São as palavras que nos ocorrem quando nos vem à memória um ser humano tão extraordinariamente especial, de seu nome Joaquim Maneiras Alferes. Alferes – é assim que sempre e carinhosamente nos referimos a quem connosco partilhou o seu saber, a sua dedicação, o seu empenho, o seu dinamismo, o seu altruísmo, o seu entusiamo, a sua boa disposição, e acima de tudo – o seu humanismo. E por tudo isso e muito mais, que nos escapa, conseguia fazer de todos os momentos que connosco partilhou Magia. Magia que tocava e continuará a tocar os corações de todos com quem SE partilhou. Cada vez que tocamos um clarinete, um saxofone, um trompete, uma tuba, uma caixa, ou simplesmente olharmos uma pauta musical, o Alferes está lá. Com batuta ou sem ela, está sempre connosco.

A nós – músicos – tratava-nos por ‘filhos’, porque era assim que nos considerava – da família. Preocupava-se com os ensinamentos musicais, sentimentais, familiares e com coisas simples como a refeição depois de um concerto. Quem não se recorda quando anunciava que o almoço seria ‘bifinhos ao champignons’ ou quando não se queria alongar mais nos ensaios e dizia ‘Pronto, não vos maço mais, filhos.’ Nunca nos maçou. Era sempre com entusiamo que nos apressávamos para a lição de música ou para o ensaio, onde se reunia a família – para aprender música e para conviver.

Para ti

O teu testemunho não será silenciado só porque deixámos de ouvir a tua voz. Só um ser iluminado como tu conseguia despertar em nós uma arte que não é para todos, mas que tu nos fazias crer que sim.

Privilégio de todos nós que contigo nos cruzámos. Inspiraste-nos e cativaste-nos com o teu sonho, o teu entusiasmo, a tua vontade de fazer tanto, tão bem e diferente. Mirandela – viagem do ano. Tantas aventuras e desventuras. E tu, Alferes, sempre ao nosso lado, não fosse alguma traquinice correr mal. Acolheste-nos e às nossas famílias, e nós acolhemos-te no coração. Levaste-nos a percorrer o país e para além dele. Carregaste e montaste instrumentos connosco. Escolheste partituras para brilharmos. Apuraste-nos o ouvido. Ensinaste-nos a marchar e coreografar. Ouviste-nos e fizeste-te ouvir. Aconselhaste-nos. Sorriste e sofreste connosco e para nós e nós para ti. Sempre pensando em cada um e em cada um em grupo. E sempre unidos, como uma família deve ser.

Um especial e sentido agradecimento à sua família pela partilha do vosso tempo de marido, pai, sogro e avô que tanto nos enriqueceu.

A este Homem de afetos, amigo, professor, maestro, mentor e para tantos um pai, deixamos esta singela, mas muito sentida homenagem, terminando com um poema de Ricardo Reis:

“Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive”.

Brilha para todo o sempre!

OBRIGADO!”

Texto da autoria de Dina Alexandra (saxofonista da BMO-CCD)